quinta-feira, 15 de março de 2012

Este eu escrevi qando a Jogadora Marta foi eleita a melhor do Mundo em 2010.


Carta à Dona Tereza, a Mãe da melhor do Mundo

Ane Cruz[1]

            Pois é Dona Tereza, quando a senhora disse à Marta[2] aos cinco anos de idade que ela não poderia comprar uma bola porque ela era mulher, a senhora nem imaginava que o destino de sua filha, seria ser a melhor do mundo por cinco vezes no esporte majoritariamente masculino: o futebol.
            Naquele tempo a senhora deveria ter muito receio mesmo, uma menina querendo interferir num mundo vasto das masculinidades, dos machismos, seria quase impossível de isto acontecer, a senhora certamente teria pensado. Mas sua filha conseguiu superar um caminho extremamente machista, masculino e conservador que é o futebol.
            A atuação de sua filha em 2003, no Pan de Santo Domingo, premiou o Brasil com ouro e ela teve sua consagração na seleção brasileira quando ganhou destaque mundial pelo jogo ofensivo apresentado na Olimpíada de Atenas em 2004, mesmo quando o time ficou com a medalha de prata, perdendo para os EUA, como será que a senhora se sentiu naquele momento dona Tereza? As mulheres brasileiras, todas orgulhosas.
            E em 2006, aos 20 anos? Marta foi eleita pela primeira vez a melhor jogadora do mundo pela Fifa, e em 2007, foi ela quem ajudou a Seleção Brasileira a conquistar o bicampeonato dos Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro, sendo também a artilheira do torneio com 12 gols, 12 gols dona Tereza, a senhora assistiu esta partida?
            No mesmo ano, o Brasil chega ao final da Copa do Mundo pela primeira vez, porém perderam para a Alemanha. Em 2008, Marta ganhou outra medalha de prata nas olimpíadas. Em 2008 e 2009 Marta recebeu o prêmio de Melhor Jogadora do ano e hoje é consagrada pela FIFA como a melhor do mundo/2010 no futebol[3].
            Os tempos são outros Dona Tereza, Marta conseguiu se superar e surpreender-lhe, mas preciso dizer, sua filha por mais sucesso e reconhecimento que tenha e tem, ainda não recebe os mesmos salários que os marmanjos que nem chegam perto dela, no quesito qualidade. Infelizmente Dona Tereza, a realidade de Marta e de tantas outras mulheres no futebol é duríssima. Chegar aonde Marta chegou, eu arrisco até em dizer sem pestanejar, sem me valer de pesquisas científicas, que os homens que chegaram aonde Marta chegou, não tiveram que ralar, mas nem um terço do que sua filha deve ter ralado. Mas não ralaram mesmo!
            Óbvio que existem as exceções, existem inclusive as semelhanças de realidade, mas de gênero, de gênero não dona Tereza. Sua filha é a única mulher a conquistar isto, no mundo cinco vezes! A senhora já parou para pensar? Cinco vezes, a melhor do mundo, no futebol?
            Nossa, quando eu paro para pensar, acho isso extremamente grandioso, não consigo nem mensurar e sabe dona Tereza, chega a dar uma tristeza ao mesmo tempo, sabe por quê? Porque são tantas as mulheres no futebol, e elas são tão boas no que fazem e reconhecer que elas só não estão nos mesmos patamares salariais, de publicidade, de reconhecimento, dói muito, sabe porque dona Tereza? Porque são mulheres.
Mas por outro lado, fico pensando, na agenda que ela teve outro dia com a Presidenta Dilma, acho que vai dar alguma coisa desse encontro, além de “bate-papo de futebol”.       Pressinto que algo vai melhorar no futebol para as mulheres, Marta pede muito reconhecimento para as mulheres no futebol feminino e que este venha a ser profissional no Brasil.
            Quando Marta recebeu pela primeira vez este título ela já pedia mais atenção ao tema para as mulheres, mantendo postura crítica em relação às autoridades que zelam pelo futebol feminino no Brasil. "Há atletas no Brasil que só jogam quando a seleção se reúne. Falta interesse dos clubes, dos empresários. Não precisa montar uma liga de longa duração, mas é preciso de um torneio apenas para manter as meninas em atividade", afirmou em reportagem para um jornal brasileiro.
            Recentemente, na sua terra natal, disse “temos um grande apoio da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que nos dá a possibilidade de mostrarmos nosso talento lá fora. Mas falta estrutura de clube para o futebol feminino no Brasil, iniciativa das empresas e interesse na modalidade”. E eu diria mais dona Tereza, do poder público também.
            Creio que Marta tenha discutido isto com a Presidenta, dona Tereza e espero mesmo que esta dê eco aos pedidos de sua filha para que mais e mais mulheres possam ocupar este lugar também, assim como Marta vem ocupando.
            Considerada o “Pelé de saias”, Marta receberá um memorial em Alagoas que levará o nome “Memorial Rainha Marta” que contará toda sua história, destacando o sucesso dentro e fora do campo. Que o desejo de sua filha dona Tereza, de ver o futebol feminino profissionalizado, mais reconhecido e valorizado no nosso país, seja realidade para todas as mulheres brasileiras. Diga a Marta que agradeço por sua teimosia naquele dia, aos cinco anos e ter ido comparar uma bola. Parte inferior do formulário

Fontes:

Futepoca - Acesso em http://www.futepoca.com.br/2009

Presidência da República - Acesso em http://www.brasil.gov.br/noticias/arquivos

Dom Total – Acesso em http://www.domtotal.com

Folha Online – Acesso em  http://www1.folha.uol.com.br/folha/esporte

Confederação Brasileira de Futebol (CBF) – Acesso em http://www.cbf.com.br


[1] Graduanda de Ciências Sociais, pela Universidade Metodista de São Paulo. Militante feminista.
[2] Marta Vieira da Silva, nasceu em Dois Riachos/AL, em 19 de fevereiro de 1986, é uma futebolista brasileira que atua como atacante.
[3] Prêmio concedido pela Fifa desde 2001.

Nenhum comentário:

Postar um comentário